A Sociedade dos Corvos Mortos

20 de fevereiro

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Além daquele imenso portão de madeira, que levava consigo um dragão talhado bruscamente nos troncos, o grupo avançou com cautela. A cada passo, os anões sabiam estar caminhando mais profundamente lago a baixo e aquele rede de túneis de rocha era lisa como um peixe e escorregadia como uma vadia de elite. Água corria pelas paredes em pequenas gotas, o que deixava o piso limoso e difícil de se avançar rapidamente.

Logo a frente, um ruído começa a se propagar, alcançando as pontudas e longas orelhas élficas de Josh. Água caindo, de um ponto alto daquele grande salão que começa a se expandir a frente dos viajantes. Junto com o barulho da água que quebrava o silêncio daquela caverna, outro som, bem mais grave e grotesco chama a atenção dos heróis. Um roco rugido, não de leão, mas de algo bem maior. Esse som se funde com vários outros iguais. Pelo deslocamento de ar e quantidade de rugidos simultâneos, as feras pareciam ser enormes e de fato seriam, se não fosse uma só: uma enorme hidra, com as escamas inferiores acinzentadas e as superiores mais fortes e resistentes, de uma cor que lembrava roxo.

Ainda com a visão limitada pelo escuro daquele grande salão de pedra natural, o mago encanta uma flecha com luz e dispara. Para a surpresa do grupo, a flecha não encontra a criatura e sim uma enorme barra de ferro, que se ergue do chão até o topo daquela grande caverna. Várias dessas barras fazem um linha circular ao longo de toda extensão daquele lugar, formando uma espécie de jaula, limitando a passagem da criatura.

Jatos de gelo eram soprados pelas onze cabeças ao mesmo tempo, tentando atingir os aventureiros, ao mesmo tempo que aquelas bocas enormes tentavam derrubar aquilo que a prendia lá. Sem sucesso a criatura continua a tentar chegar ao grupo, enquanto uma janela de tempo se abre para o grupo planejar o que fazer.

Decide-se então que Cristal, com suas técnicas de furtividade e um pouco de magia arcana de Josh, se esgueiraria pelas barras em silêncio para procurar o tal tomo de Boccob, enquanto os outros prenderiam a atenção da hidra. Já invisível, a princesa começa a se aproximar daquela sela e tateando a parede, logo encontra um grande baú enterrado. Uma fechadura bem travada a impede de abrir imediatamente a arca e parecia que ia precisar de algum tempo até conseguir abrir o baú.
Ao mesmo tempo que Cristal avançava na abertura da arca, Dévoris prontamente brande seu machado contra a criatura, esquivando-se das investidas das várias cabeças. Foram dois golpes letais, um para cada cabeça. A criatura que antes mordia onze vezes, agora só o faz nove.
Parecia um ótimo plano se o alvejar de bolas de fogo do mago não tivesse enfraquecido demais Dévoris, para um suspiro mais tarde ser devorado pela hidra. Pedaços de carne e ferro voaram para os lados. Aquele anão resoluto, jamais antes abalado pelos desafios da batalha, estava morto, em pedaços e sangue.
Uma vez que os outros aliados estavam na retaguarda, salvos pelas barras de ferro barrando a criatura, foi a vez da hidra retaliar com gelo aquele leve som de ferro ao seu lado. Sem saber para onde apontar, algumas cabeças dispararam gelo contra o baú, debilitando quase mortalmente a princesa furtiva. Com sorte, Kamyr chegou a tempo de tomar a atenção da hidra para si e finalizá-la com um feixe de luz incandescente.
- Só tem ouro aqui, só ouro! A Princesa berrou em fúria ao ver que o baú não continha o livro que procuravam. – Perdemos um homem por nada, seus inúteis!
Enquanto a mulher berrava e os outros lamentável, Kamyr agradece ao seu deus platinado ter encontrado aquele pergaminho meses atrás. Tirando o pedaço de papel da sua mochila, o pergaminho um pouco amassado começa a ser lido e ao passo que as runas são proferidas, elas se destacam do papel, desaparecendo em pequenas explosões de luz. Cada palavra mágica dita, era uma porção de vida que restituía o anão bárbaro. Aos poucos, a princesa parava de reclamar, enquanto via o Dévoris voltar a vida.
Pouco ele se lembrava do que tinha acontecido. Sua lembrança era marcada por sangue, da investida de várias cabeças repletas de dentes afiados. Tal memória estava embaralhada por um sonho cheio de ouro e cerveja, em salões de pedra sem fim.
No fundo do baú, lá estava o tal livro, menor do que se imaginava, mas não menos poderoso. Logo Josh já pode admirar tal artefato arcano e sentir o poder que ele continha. Mas mais profunda análise deveria ser feita em outro lugar, num lugar mais seguro, com seus corpos e mentes descansadas, umas vez que a batalha contra a hidra de gelo fora mortal para um, quase mortal para outros.

Voltando ao esconderijo do mago Tartarath, ele os recebe com apreensão. A dúvida e desconfiança ainda é frequente em seus olhos, mas a cada dia, os heróis dão menos importância a isso. Já parecem estar mais acostumados com o jeito louco que aquele ancião se comporta.
Ao ver o tomo, o mago o pede para analisa-lo e isso vai noite a dentro. Após seu transe de poucas horas, Josh já se sentia recuperado e decide ajudar o mago a decifrar aquelas runas móveis e fluídas nas páginas.
Após algumas horas de interação, os arcanos conseguem entender o funcionamento do artefato secular e decidem deixar o seu poder para uso e julgamento de Josh, já que o elfo está frequentemente em aventuras perigosas.
Além de decifrar o tomo, Tartarath ainda coletou algumas informações básicas sobre os outros três artefatos. Sua localização e alguns pontos básicos, o suficiente para orientar o grupo para determinadas direções, com a exceção de um deles: a pedra Felgur.

O grupo decide voltar a Belias para descobrir mais informações sobre a pedra, sobre a guilda e para comprar mais alguns itens a ajudar em suas jornadas. Dévoris decidi ficar para trás, ainda no esconderijo, se recuperando daquela experiência mortal contra a hidra.
Temendo serem reconhecidos pelos membros negros da Ordus Incognitus, Josh muda a aparência de seus companheiros, assim como Cristal também decide disfarçar o grupo, trocando-lhes roupas e acessórios.
Enquanto alguns heróis procuram artefatos mágicos em troca dos tesouros abundantes pilhados nos calabouços, outros vão até a taverna procurar informações sobre a Pedra Felgur e a Guilda. Cristal abre o diálogo voltando a um ponto já mencionado por ela anteriormente: – Precisamos de mais homens de armas. Não viram o que aconteceu com o pobre anão. Foi despedaçado. Precisamos de mais espadas ou estaremos perdidos.
Deixando ser ouvidos enquanto falam sobre espadas e a guilda dos corvos, os heróis são abordados por um homem de idade avançada, porém com um porte firme e forte, como o seu mangual levado a cintura. De maneira estranha e impertinente, esse homem que se auto intitula Walfurion, propõe auxiliar o grupo, com objetivos ainda nebulosos. Com seu carisma típico, Cristal espeta: -O que um velho como você pode fazer para nos ajudar? Antes das palavras terminarem de escapar pelos lábios doces e envenenados, aquele mangual desceu como um raio, partindo a mesa ao lado e fazendo o objeto em pedaços. A taverna parou por um segundo e os olhos do taverneiro fulminaram aqueles que fizeram o estardalhaço. Antes que a situação se agravasse, Kamyr se dirige ao pedaços de madeira partida e as restaura com uma oração divina.

Depois da resposta contundente, ele se apresenta como interessado nos homens que vestem negro e que se transformam em corvos, batendo com a conversa exaltado dos aventureiros. Compartilhando objetivos em comum, o homem se senta e começam a conversar sobre a tal Ordus Incognitus. A euforia matinal da taverna retorna ao seu normal, com desjejuns sendo servidos, bêbados sendo tocados para fora e o cheiro de porco assado carregado pelas bandejas.

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carnielmoises

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