A Sociedade dos Corvos Mortos

27 e 20 de março

Main Quest

O caminho revelado a frente era escuro e mal cheiroso. A estrutura interna daquela passagem era irregular e cavernosa. Se não milenar, teria com certeza sido escavada pelo próprio tempo, criando uma passagem inclinada para cima, levando ao alto da montanha de maneira quase linear. Aquele lugar era traiçoeiro, pedras soltas por todos os lados e algumas estalagmites compridas que bloqueavam parte da passagem.

Após alguns minutos de avanço cuidadoso, em uma formação de combate justa, pequenas criptas escavadas na parede guardavam esqueletos em posição fetal, com seus braços segurando as pernas, como velhos bebês mortos e sepultados na pedra fria. As criptas acompanharam o caminho ascendente até um grande salão de pedra circular com mais criptas e esqueletos. No centro da sala, um archote em uma armação de pedra, apagado porém algo parecia vivo naquele archote.

Como a iluminação era escassa, fogo queimou mais uma vez naquele olho queimado e ficou mais fácil de ver e estudar a imensidão daquele salão de pedra. As criptas se estendiam por toda circunferência da sala, até o alto, com mortos tão altos, que nem os braços de um gigante alcançariam aqueles lá.

Com cuidado, o grupo se espalha, procurando por pistas. Cristal, ao analisar uma das criptas que chamou sua atenção, acaba chutando acidentalmente um crânio que passou percebido como uma pedra. Aquele barulho trovejou pelo grande salão de pedra como um rolar de pedras atrozes. A surpresa do estrondo ecoando pelo lugar só não foi maior que o despertar voraz de criaturas horrendas que surpreenderam os aventureiros, saltando de dentro daquelas pequenas criptas e atacando os viajantes.

A princesa tenta se proteger de uma mão mortificada que investe sobre o seu rosto. A criatura que salta na sua direção é um amontoado de membros – pernas e braços – grudados por fortes amarras, como uma criação necromante, uma aberração. No meio daqueles membros, uma bola de carne. Ao ser tocada, Cristal sente sua energia vital sendo drenada e sua pele queimar. Quando recobra sua consciência após o ataque sofrido, percebe que há mais várias dessas criaturas que também surpreendem seus aliados, estes logo buscando por defesa e escudo.

Fora o elemento surpresa, aquelas criaturas não parecem muito bem feitas, muito menos treinadas, para combate. Seus ataques são cegos contra escudos e armaduras dos herois, que com suas armas conseguem acertar e cortas as criaturas.

Já protegidos do fogo mortal de Josh por magias de proteção, o Elfo decide acabar com todas as criaturas de uma só vez, explodindo uma grande bola de fogo no centro do salão e fazendo voar chamas para todos os lados. O que ninguém estava esperando é que ao perderem o resto de vida que sobrava a elas, aquelas aberrações explodem junto com a magia do mago, jogando pedaços de carne morta e pútrida contra todos os vivos ali presentes. Assim como o toque necrótico que drenava a energia dos aliados, aqueles pedaços fazem o mesmo, causando uma chuva de sangue podre, drenando a energia dos heróis.

Elas se foram, assim como a saúde do grupo. A comitiva estava a salvo, mas nem tanto. Algumas poções ficam vazias para trás, assim como algumas magias de Kamyr. Um leve descanso é o suficiente para retomar a concentração e o cuidado necessário. Cada vez mais impaciente, Cristal é retalhada pelos seus aliados por ter despertado aqueles monstros.

A frente, aquele caminho tortuoso segue, ainda em ascensão leve. Depois de mais algum tempo de caminhada cuidadosa, o caminho faz uma curva acentuada e logo se percebe que estão caminhando na direção contrária a que vieram, mas ainda subindo. As criptas acabam junto com o caminho, que se encerra com uma parede de pedra. Josh logo percebe uma continuidade a frente e a procura por algum mecanismo começa.

Sem muito esforço encontram pistas de que aquela parede a frente está solta e a força de Dévoris é suficiente para empurrar aquele bloco de pedra que cai, revelando uma câmara de rocha lisa e simétrica. Um enorme salão retangular, alto e feito de pedras empilhadas. Aquela estrutura já era conhecida: por mais que a cor da pedra usada ali seja diferente, tudo ali era muito similar a primeira pirâmide que o grupo passou, inclusive aquela enorme alavanca no centro da sala.

Porém, algo ali estava diferente da outra pirâmide. Na paredes laterais, havia grandes runas redondas que ocupavam toda porção central da parede. Pintadas em tinta roxa, ou algo parecido, aquela cor pulsava como um coração em um brilho forte. Cada passo em direção ao centro daquela sala vazia, aquela runa pulsava mais rápido, e mais rápido e mais rápido.

Num impulso de evitar um perigo maior, Cristal, como sempre, decide correr até a alavanca e puxar o mecanismo. Durante sua corrida, um brilho intenso e branco surge daquela runa, concretizando a suspeita do mago Josh, dando passagem a um portal, que abre passagem para um raio calcinante mirado na garota. O fogo intenso varrer o chão até quase acertar Cristal, que esquiva com um salto lateral. Igual a esse portal, a outra runa também carrega agora um brilho intenso branco. Depois da surpresa do raio de fogo, enormes patas começando a atravessar o portal e revelam uma criatura quase colossal, em formas de inseto. Na parte frontal da cabeça daquela criatura, vários olhos flamejantes, como rubis em fogo encaram a princesa. Aquele monstro se contrai para sair do portal em sua totalidade e ao estender aquelas patas gigantes, elas já começam a investir contra Cristal que busca proteção rapidamente. Com uma carapaça dura feita de pedra, os demônios preparam-se para entrar em carga…

Seria uma batalha dura e difícil, mas Asdian conseguiu traçar um plano ousado, mas que contribuiu para o sucesso dos aventureiros. O raptoran invocou uma esfera gigantesca de sombras profundas, que nem aqueles capazes de enxergar no escuro, conseguiram se localizar. Enfurecidas pela falta de visão, uma daquelas criaturas entra em carga, atropelando e pisoteando muitos dos herois. Asdian, que se encontra voando, é atingido, mas sem ferimentos. Já os outros, não tem a mesma sorte e por pouco não são feitos como porcos em espetos, pelas patas daquela criatura.

Wolfurion, não cego pela escuridão mágica de Asdian, engaja em combate corpo a corpo com a outra criatura. Tomando a iniciativa, o velho comandante gira seu mangual e ataca aquela criatura, mas a carapaça dura parece resistir o golpe de Wolfurion, mesmo sendo o ataque firme e certeiro. Pouco abalada, a criatura gigante investe contra o mestre da lâmina, que pouco pode fazer para se defender das várias patas rochosas que lhe atacam freneticamente. Após várias investidas, Wolfurion, em descuido, se deixa ser capturado pela captura, que agarra o herói, trazendo-o próximo da sua boca infernal e faminta. Não fosse Dévoris e sua fúria incontrolável, Wolfurion poderia ter perdido a vida. O anão bárbaro salta nas costas da criatura, aproveitando o momento de distração com o velho humano e racha sua dura cabeça com várias machadadas teimosas, acabando com a vida do demônio e salvando a de ser amigo.

Já recuperados da carga no escuro da outra criatura, os aventureiros já se encontram em pé e agora com uma visão mais clara do que acontece. Asdian voou lateralmente, levando consigo aquela zona de escuridão. Com velocidade, Kamyr, Josh e Cristal conseguem derrubar a outra criatura antes que ela investisse em contra ataque.

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Já cansado dos três longos dias de viagem gelada e doída, um combate desses com certeza levou o grupo a um cansaço enorme, o que levou-os a decidir descansar algumas horas. Magias renovadas, músculos soltos, cabeça no lugar com certeza traria maiores chances de sobrevivências nas câmaras que se revelariam ao seguir em frente, pirâmide a dentro. A ideia teria sido boa, se tivessem se dado conta que mais criaturas poderiam sair daqueles mesmos portais de onde os retrievers vieram. Os turnos de guarda trocavam, e ao passo que as horas passavam e aqueles que dormiam, descansavam, as runas pulsavam mais rápido e mais forte. Mesmo assim, o descanso parecia ser mais importante, mas é óbvio que não duraria o suficiente: aquele clarão branco explodiu novamente e mais demônios saíram lá de dentro para mais uma vez tentar capturar os invasores da pirâmide.

Um pouco sonolentos e não completamente restaurados, os aventureiros decidem deixar aquelas criaturas para trás, já que eram grandes de mais para passar pela entrada da próxima escada, que subia. Um a um, eles corriam escada a cima, evitando as patas gigantes e os olhos vorazes dos monstros. Com sorte, todos saíram do alcance das criaturas a tempo. Ainda um pouco cansados, só havia agora um caminho a seguir, escadas para cima, afinal, voltar para aqueles demônios de várias patas de pedra, não parecia uma opção saudável. Ou quem sabe sim, dependendo do que poderia haver além dali.

Buscando maior segurança e querendo evitar armadilhas ou mais demônios, cristal decide bater a frente, rastejando escada a cima, tentando descobrir o que havia além daquelas escadas. Alguns metros a frente do resto do grupo, pode observar uma luz fraca localizada no centro da próxima câmara, logo após o fim das escadas. Junto com aquela luz, pode escutar também ruídos. Algo como conversa, só que com certeza não humana. Não havia como distinguir aqueles sons. Não era língua humana nem nada parecido. Enquanto escutava e tentava decifrar aqueles sons guturais, aquela luz se dispara contra a sua direção, atingindo o teto a sua cabeça. Aquela esfera flamejante assusta Cristal, que sem reação é consumida numa explosão de fogo. Gritos roucos e graves, como vozes sobrepostas, ecoam da sala a frente, que em tom de ameaça revela três enormes humanoides. Suas barrigas brilham como lava e seu corpo massivo, obeso e molengo sustentam uma cabeça pequena, mas maligna. De pele avermelhada, aqueles (com certeza) demônios traziam em suas panças caveiras humanas que dançavam lá dentro. Garras afiadas rasgavam suas próprias barrigas, tomando as cabeças em fogo com poder maligno e arremessando contra o grupo que já avançava contra os gigantes obesos.

Enquanto o grupo avançava contra os demônios, aquelas esferas flamejantes eram arremessadas contra eles. Não fosse as magias de proteção contra fogo do mago, teria sido um combate muito mais difícil. Proteção contra o fogo, que deveria anular as bolas de fogo de Josh, acabou servindo bem para anular também o fogo infernal daquelas criaturas, que tiveram que recorrer ao combate corpo a corpo, bem menos eficaz, o que levou sua ruína rapidamente.

Aquelas duas bestas de fogo estavam no chão, e o sangue que escapava pelos cortes e ferimentos das armas virtuosas dos herois era como lava quente, escorrendo e se espalhando. Acima de suas cabeças havia outra daquelas alavancas. Estava lá, no teto, porém essa era a única diferença. Não seria problema para um grupo que contava com uma criatura alada.

Depois da alavanca, mais uma vez, ao invés de avançar, a decisão é mais descanso, já que não conseguiram um sono restaurador da primeira vez. Um novo perímetro é instaurado, turnos de guarda são divididos e mais novamente se tenta o descanso. O caminho anterior os levaria aos imensos retrievers, mas o que há a frente ainda é desconhecido. O descanso poderia ser interrompido a qualquer momento.

Josh lê seu grimório, um dos vários que carrega consigo, quando passos rápidos são ouvidos na direção do caminho ainda não revelado. São vários, pés pesados e ágeis que correm em marcha avançada e unida. Um a um dos aventureiros são acordados. Um mais facilmente, outros requerem um pouco de força bruta. A recuperação daquele cansaço é interminável, ainda mais com mais um ataque no meio da “noite”. Josh, o guarda da vez, talvez o menos preparado para a função é o primeiro a sofrer a investida brutal daquelas criaturas. Mais uma vez elas são identificadas como demônios e parecem se agrupar bem e lutar em falange. São criaturas grandes e fortes, de couro vermelho escuro, braços e garras compridas, sendo as últimas, mais afiadas do que compridas. Saltando contra os aventureiros, alguns conseguem se esquivar, enquanto outros são atingidos ou quase, o suficiente para um ferimento superficial. Em determinado momento do combate, Kamyr tem três dos atacantes alinhados, um momento único que o beneficiaria tremendamente com sua rajada dracônica. Dessa vez ele dispara uma linha de eletricidade. Como uma cadeia de raios interligados, eles trespassam os demônios, que para a infelicidade do sacerdote de Bahamut, não são afetados pelo elemento. De maneira semelhante, o fogo de Josh não é tão efetivo assim, mas forte o suficiente para acabar com alguns deles. Cada criatura que caía, fazia com que as outras ficassem mais fracas. Perdendo em número e moral, aqueles demônios sucumbiram a espada e machado, mas deixaram cortes profundos em alguns dos viajantes, que tiveram que recorrer aos milagres de Kamyr e algumas poções de cura para restaurar sua saúde.

Cansados de estarem cansados e não conseguirem descansar, o próximo passo é seguir em frente. Cada sala menor com escadas que sobem confirmam a estrutura piramidal daquele lugar. As escadas a a cima revelam uma sala ainda menor do que a anterior, com mais uma alavanca. Desta vez o mecanismo se encontra no piso da sala, ainda no centro. Diferente dos outros ambientes, não há saídas visíveis daquele lugar, mas com certeza aquela última alavanca a ser puxada revelaria outro caminho a seguir. Não podia ser o fim, não comparando com a outra pirâmide que estiveram. Ao ativar o mecanismo, pode se escutar, mais alto do que com as outras alavancas, um som alto e ribombante entre os paredões de pedra que cercavam os aventureiros pode ser escutado. Pedra e contra peso moveu-se além das paredes, com certeza, ativando algo, que nas esperanças deles, poderia ser a próxima passagem.

Ainda, Josh consegue notar que aquele teto esconde uma passagem comprida que sobe. Calculam que essa passagem siga até o topo da pirâmide, como o grupo fez sua primeira entrada alguns meses atrás. Corda rompida, todos caindo sobre Dévoris. Como poderiam romper aquela obstrução sólida de pedra antiga? Quebrar algo para baixo seria fácil, com a força dos anões. O problema era quebrar o teto, podendo desabar grande porção de pedra. Na luz dessas condições, é decido investigar essa possível passagem que pode ter se abrido com a ativação da terceira alavanca. Voltando para o segundo nível, descendo as escadas, o grupo é surpreso por um caminho que se abriu nas próprias escadas, que antes de chegar a sala intermediária, revelaram uma abertura para o lado oposto, com outro lance de escadas ainda descendentes.

Descendo pelo novo caminho ainda estranho, o cuidado continua grande. A atenção deles é voltada completamente para frente, para o desconhecido. A luz avançava apenas alguns metros para frente e agora, com o mistério a frente, se dão conta de que já faz dois dias que estão naquele lugar. O ar começa a ser pouco dentro daquela imensidão de pedra. Os herois desejam que este seja o último lugar a vasculhar, pegar o manto e cair fora daquelas ruínas infestadas por demônios. Após vários passos lentos, as escadas se ligam a outra câmara de pedra, dessa vez diferente das outras. Um enorme fosso, um buraco aberto se apresentava no centro da sala. Havia pedras e rochas, escombros e sinal de destruição por todos os lados. A pedra das paredes que ainda estava em pé estava chamuscada. Uma grande explosão parece ter acontecido ali. Aquele grosso túnel lapidado para baixo através de força se enche de escuridão. Jogando uma pedra para baixo, são vários pés de altura que retornam com o som. Na parede oposta a entrada daquele lugar, é possível verificar armações e ferro, como armações de quadros, presos a parede, mas agora destruídos e retorcidos pelo fogo que consumiu aquele lugar. As pedras daquele lugar eram negras e podia encontrar porções de rocha deformada, tamanho calor que incendiou aquele lugar. Aquelas armações do que uma vez foram quadros fizeram a lembrança dos aventureiros ressoar. Em outra pirâmide encontraram uma sala similar, com quadros que escondiam a resposta de um enigma, um enigma arcano, com um grimório, agora nas mãos de Josh. Porém ali, não havia mais nada, nem quadros, nem grimório, nem nada. Só restos. Na memória, a solução do enigma os levava para baixo, em um enorme cilindro de pedra. Esse cilindro agora estava destruído e tomado pela escuridão.

O manto só podia estar lá em baixo e não tinha outra rota ou outra opção. Ponderaram e debateram e o que soou menos pior foi Asdian descer voando, batendo aquele lugar. Cordas foram armadas, dessa vez com um pouco mais de perícia, e alguns desceram, antes dos outros e pouco a pouco aquela escuridão era explorada. Asdian planava com cuidado para baixo. Quando a luz do mago tentou penetrar naquele breu, ela sumiu. Os anões nada conseguiam enxergar e nem as criaturas com quem Asdian compactuava conseguiram lhe fornecer uma visão tão aguçada para furar aquela escuridão.

Era medo, medo tão escuro quando aquele lugar. Lutar contra aquilo que se via e se escutava era fácil. Era até mais fácil lutar contra aquilo que não se via, mas sabia estar ali. Aquilo era diferente: o desconhecido, a ignorância do próximo passo, isso era pior que as bolas de fogo de Josh. Já dizia o velho homem: o medo corta mais fundo que as feridas.

A tensão era tão grande que a sensação de chão abaixo dos pés os assustaram. Chegaram ao fundo daquilo e a escuridão persistia. O som não passava muito bem pela aquela negritude, fazendo com que se sentissem distantes um dos outros. Dévoris caminhava de costas a parede e logo percebeu que estavam em uma câmara pequena.

Um trovão cai dentro daquela sala: – Huaaaaaaaaaahuaaaaaaaa! O que querem aqui?

A voz era uma trovoada que caia, grossa e temível. – Vieram atrás do meu manto?

A certeza do grupo era que mais uma batalha seria travada ali. – Sim. E quem pergunta, diz Dévoris.

Era um demônio, uma presença horrível num escuro sem fim e profundo. Não se enxergava nada, só a sensação de medo do escuro e daquilo em algum lugar, onde lá que estivesse.

Outro trovão cai: – Troco o manto por uma alma.

Com esperteza Asdian dispara: – Será trocado por uma alma, assim que sairmos daqui.

Entretanto aquela presença sabia que ninguém seria sacrificado por um manto. Nenhum daqueles homens entregaria um aliado em troca do artefato.

De repente, aquela imensidão de trevas desaparece. Como um liquido fluído, ela é sugada pelas frestas das paredes. Entre as paredes, aquela escuridão seca e o que se revela é um manto no centro da câmara. Um gancho preso ao teto segura aquele pesado manto deito de lã negra, coberto de penas mais negras ainda e uma corrente de ouro ligando as extremidades do tecido com um adorno em formato de cabeça de corvo. Um artefato amedrontador para aqueles que enfrentaram os homens corvos há alguns meses atrás.

Aquela voz racha uma risada grossa e sádica e logo se percebe que o manto, assim como aquele fluído negro, começa a ser puxado parede a dentro. A agilidade do Binder permite que ele salte alto e rápido o suficiente para barrar aquela força infernal de desaparecer com o manto. A força dele não é suficiente para inverter a direção em que o manto se movia, apenas desacelerar. Na melhor das intenções, Dévoris, com todo seu peso de barba, banha, músculos e armadura, salta e se agarra na parte inferior do manto, fazendo com que ele se soltasse. Pelo menos parte dele. O tecido havia rasgado. Dévoris estava no chão, caído com um pedaço de pano na mão. Aquilo, de alguma maneira, tinha deixado Asdian tirar a outra metade do manto. Enquanto os dois, recuperavam as energias da força feita para salvar o artefato, os outros olhavam assustados para a armadilha que tomava aquele lugar. Do mesmo modo que o líquido negro saiu por entre as pedras da parede, um líquido avermelhado e calcinante começava a tomar aquele lugar. Queimava como lava e se parecia muito com aquelas esferar feitas pelos demônios obesos.

Como uma tempestade, os aventureiros saem daquele lugar. Voando ou subindo as cordas, eles conseguem evitar serem derretidos. Por sorte, aquele ácido vermelho se militou a ascender apenas até o gargalo da passagem cilíndrica por onde o grupo recém tinha saído.

Tudo parecia muito ruim e abafado para ficar mais um minuto naquele lugar. Aquele era o sinal, mais um dos vários, de sair logo dali. Correndo, o grupo busca a saída. A mesma por onde vieram. Chegando a câmara mais inferior, percebem que há uma fina camada daquele mesmo líquido calcinante que tomou a sala do manto. Aquelas duas grandes runas pulsavam e jogavam esse ácido para a sala, que aos poucos preenchia o lugar. Enquanto Asdian alçava voou para descobrir a situação real daquela armadilha pela saída além dali, os conjuradores de magia preparam o resto do grupo para resistir ao ácido com algumas magias de proteção.

Protegidos por poderes arcanos e divinos, os aventureiros se sentem seguros para através aquele lago de ácido. Asdian vooa, o resto protegido, com exceção de Josh, que por falta de mais magias de proteção se obriga a ser carregado por Dévoris. Com pressa, cruzam aquela área, passando pela passagem onde entraram na pirâmide e logo estão naqueles corredores cavernosos e tortos, que descerá até a saída para o montanha. Com sorte aquele ácido avançava lentamente ladeira abaixo devido a obstruções naturais na pedras que interpunham os caminhos até a saída.

Correndo bastante, conseguem ultrapassar a quantidade de ácido que descia, mais lento agora. Passando aquele lugar central onde as criptas estavam, começam a avistar a luz no fim do túnel, com a nevasca soprando montanha a dentro. Veem também o anão escalador correndo na direção do grupo com uma cara de pânico e medo.

- VOLTEM!!! VOLTEM!!!

O anão salta para frente em busca de proteção contra uma mão imensa que não consegue meter mais do que dois dedos naquela abertura rochosa. O gigante era mais que gigante, era enorme. Não alcançado o anão, aquele gigante recua sua mão e mete o olho para enxergar os invasores da montanha. Um peitoral de cobre protegia-o e havia uma espada larga nas costas. Com uma pele grossa e clara, olhos verdes e barba e cabelos castanhos escuros, aquele gigante queria tirar os aventureiros de qualquer jeito dali.

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O braço do imenso não cabia ali dentro, logo a estratégia foi convocar os relâmpagos da tempestade eterna daquele lugar e atirá-los para dentro do túnel. Para a infelicidade do gigante, os herois disparavam mais magias do que ele conseguia fazer com relâmpagos. Seu fim foi rápido depois que, já cansado, foi atingido por um mangual rodopiante na cabeça. Wolfurion, mais estúpido do que corajoso, salta do penhasco e se agarra nas barbas do homem gigante, lhe acertando um golpe mortal na têmpora.

Dévoris que já estava quase esmagado pelo punho do gigante se vê caindo, junto com a aquela criatura montanha a baixo. Wolfurion, com a queda, rola pela a neve e graças ao seu elmo, não teve sua cabeça esmagava na neve.

O regresso de volta ao caminho da serpente, terra dos anões, foi mais fácil. Descer, embora mais perigoso, foi mais leve. Com as orientações do mestre escalador, não tiveram tantas dificuldades e demoraram apenas um dia e meio para chegar ao seu destino.

Dentro daqueles túneis, protegidos da nevasca, a escuridão lá de dentro foi regozijante. Aquele ar parado e estanque parecia uma benção. Caminharam até a cidade, entregaram a parte dos tesouros encontrados ao anão, que não foi muito e traçaram seu próximo plano.

Antes disso Wolfurion pediu para um grupo de anões forjadores para que eles transformassem um dente do gigante, arrancado após a batalha, em um par de adagas. Infelizmente não ficou pronto a tempo. Josh, agora mais poderoso, aprendeu a famosa magia de teletransporte e os levou de volta ao esconderijo do mago.

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carnielmoises

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